Bancário
Anatocismo (juros sobre juros): o que é, quando é permitido e quando cabe revisão
Fale com um advogado
Um advogado chama você no WhatsApp.
Anatocismo
O que é anatocismo (juros sobre juros), quando a capitalização é permitida nos bancos, as súmulas do STF e do STJ e quando ela pesa numa revisão.
Por Equipe Amparo Jurídico · Atualizado em

Conteúdo informativo, com base na legislação citada no texto. Não substitui a orientação de um advogado sobre o seu caso.
Anatocismo é o nome jurídico dos juros sobre juros: os juros de um período são somados ao saldo devedor e, no período seguinte, também rendem juros. É o mesmo mecanismo dos juros compostos. Muita gente descobre o termo ao perceber que a dívida cresce muito mais rápido do que esperava, e a dúvida é se isso é legal.
Quando é permitido
| Quem empresta | Capitalização mensal de juros |
|---|---|
| Banco ou instituição financeira, contrato após 31/3/2000 | Permitida, se expressamente prevista (Súmula 539 do STJ) |
| Banco, contrato que não prevê a capitalização | Não pode ser cobrada |
| Particular, empresa que não é financeira | Em regra, proibida (Súmula 121 do STF), salvo a capitalização anual |
| Financiamento imobiliário do SFH | Permitida, se prevista, conforme a legislação do sistema |
A permissão para os bancos vem da Medida Provisória 2.170-36/2001. Para o STJ, a capitalização está “expressamente prevista” quando o contrato mostra uma taxa anual maior que doze vezes a taxa mensal (Súmula 541).
Um exemplo
Uma dívida de R$ 10.000 a 3% ao mês, por 12 meses, sem pagar nada:
- Juros simples: 3% × 12 = 36%, a dívida vai a R$ 13.600.
- Juros compostos (capitalizados): 1,03 elevado a 12 = 42,6%, a dívida vai a R$ 14.258.
A diferença cresce com o tempo e com a taxa. Em cartão de crédito e cheque especial, com taxas altas, ela fica enorme.
Quando o anatocismo pesa numa revisão
Na maioria dos contratos bancários atuais, a capitalização está prevista, então ela sozinha raramente derruba o contrato. A revisão costuma se apoiar em outros pontos:
- taxa de juros muito acima da média do Banco Central para aquele tipo de operação, que é o argumento mais forte (veja juros abusivos);
- capitalização cobrada sem estar prevista no contrato;
- tarifas e seguros embutidos sem contratação clara;
- encargos de atraso acumulados além do permitido.
Para conferir a taxa real que você paga, use a calculadora de juros do financiamento e compare com a média do Banco Central.
O que fazer
- Peça ao banco a cópia do contrato e a planilha de evolução da dívida, que ele é obrigado a fornecer.
- Confira a taxa mensal, a anual e o custo efetivo total (CET).
- Compare com a média do Banco Central para o mesmo tipo de crédito e período.
- Se houver excesso, um advogado avalia a revisão, na Justiça ou em acordo.
Conte o caso no formulário. Veja também superendividamento e o que mais um advogado bancário resolve.
Perguntas frequentes
Anatocismo é proibido?
Depende de quem empresta. Entre particulares, a capitalização mensal de juros é, em regra, proibida (Súmula 121 do STF). Nos contratos com bancos e outras instituições financeiras assinados depois de março de 2000, ela é permitida, desde que esteja expressamente prevista (Súmula 539 do STJ).
Como saber se o meu contrato prevê juros capitalizados?
Basta o contrato informar uma taxa anual maior que doze vezes a taxa mensal. Por exemplo, taxa mensal de 2% e taxa anual de 26,8%: isso já mostra a capitalização e, para o STJ, é suficiente para ela valer (Súmula 541).
A Tabela Price é anatocismo?
É um tema discutido há anos. Os tribunais costumam aceitar a Tabela Price em contratos bancários quando ela está prevista no contrato. O que mais pesa numa revisão é a taxa de juros estar muito acima da média de mercado.
Prefere contar mais sobre o seu caso?
Conte o que aconteceu. Entramos em contato pelo seu WhatsApp o mais breve possível.