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Juros abusivos e ação revisional de financiamento: como saber e o que fazer

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Juros abusivos e revisional

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Empréstimo, financiamento ou cartão com juros altos demais? Quando os juros são abusivos, tarifas proibidas, a ação revisional e como não piorar.

Por Equipe Amparo Jurídico · Atualizado em

Homem fazendo contas com calculadora e cartão diante de um contrato, à noite

Conteúdo informativo, com base na legislação citada no texto. Não substitui a orientação de um advogado sobre o seu caso.

Empréstimo pessoal, financiamento de carro, consignado, cartão de crédito: quando a parcela parece não diminuir nunca, a dúvida é se os juros são abusivos. A resposta não está num número fixo, e sim na comparação com o que o mercado cobrava. Veja como saber, o que pode ser revisto e os cuidados para não piorar a situação.

Quando os juros são abusivos

O STJ fixou as regras principais:

Regra Fonte
Juros acima de 12% ao ano, por si sós, não são abusivos Súmula 382 do STJ
São abusivos quando ficam muito acima da taxa média de mercado do Banco Central, para o mesmo tipo de operação e época Recurso repetitivo do STJ (REsp 1.061.530)
Capitalização mensal (juros sobre juros) é permitida se estiver prevista no contrato Súmulas 539 e 541 do STJ
No cartão (rotativo e parcelamento da fatura), juros e encargos limitados a 100% do valor original Lei 14.690/2023, desde 2024

Na prática, compara-se a taxa do seu contrato com a taxa média do Banco Central para aquela operação na data da contratação. Quando a sua é muito maior, cabe pedir a revisão.

Cobranças que costumam ser ilegais

  • Seguro obrigatório junto com o empréstimo, ou com seguradora imposta pelo banco: venda casada.
  • Tarifas de abertura de crédito (TAC) e de emissão de carnê (TEC) em contratos assinados depois de abril de 2008.
  • Empréstimo, cartão ou seguro que você não contratou, inclusive descontos no benefício do INSS: cabe cancelamento e devolução em dobro.

Ação revisional: como funciona

  1. Análise do contrato: o advogado compara a taxa contratada com a média do Banco Central e procura tarifas indevidas.
  2. Cálculo: mostra quanto você deveria pagar e quanto já pagou a mais.
  3. Ação: pede a redução dos juros ao patamar de mercado, a exclusão das tarifas e a devolução do que foi pago a mais.
  4. Valor incontroverso: você indica a parcela que considera correta e continua pagando esse valor (Código de Processo Civil, art. 330).

Juros abusivos no financiamento de carro

É a busca mais comum sobre o tema. Para avaliar o financiamento de um veículo:

  • Compare a taxa do contrato com a média do Banco Central para “aquisição de veículos” na data da assinatura.
  • Olhe o custo efetivo total (CET), que soma juros, tarifas e seguros.
  • Tarifas de registro do contrato e de avaliação do bem só podem ser cobradas se o serviço foi de fato prestado e o valor não for excessivo (Tema 958 do STJ).
  • Seguro embutido sem escolha é venda casada.

Cuidado com o atraso: no financiamento com alienação fiduciária, o banco pode pedir a busca e apreensão do carro, e, depois da apreensão, o consumidor tem 5 dias para pagar a dívida inteira e recuperar o veículo (Decreto-Lei 911/1969).

Cartão de crédito e cheque especial

  • Rotativo do cartão: juros e encargos limitados a 100% do valor original da dívida (Lei 14.690/2023). Depois de um mês no rotativo, o banco deve oferecer o parcelamento do saldo.
  • Cheque especial: os juros têm teto mensal fixado pelo Conselho Monetário Nacional.

Consignado do INSS

No consignado de aposentados e pensionistas, o teto de juros é definido pelo Conselho Nacional de Previdência Social, e a parcela não pode passar da margem consignável prevista em lei. Desconto de empréstimo que você não contratou dá direito ao cancelamento e à devolução em dobro; para conferir o extrato e pedir o bloqueio no próprio INSS, veja o guia de desconto indevido no benefício.

Como calcular se os juros são abusivos

A calculadora de juros do financiamento descobre a taxa real do seu contrato a partir do valor recebido, da parcela e do número de parcelas.

O Banco Central divulga no site dele as taxas médias de juros por tipo de operação e por banco. Compare a taxa mensal e anual do seu contrato com a média da mesma modalidade, na mesma época. Calculadoras na internet dão uma estimativa, mas a análise para uma ação revisional precisa de cálculo detalhado sobre o contrato.

Cuidados para não piorar

  • Não pare de pagar tudo. Isso pode levar à negativação e, no financiamento de veículo, à busca e apreensão do carro.
  • Desconfie de quem promete reduzir a dívida pela metade com pagamento antecipado: há muitos golpes de “limpa nome” e revisão de contrato.
  • Guarde o contrato e os extratos; sem eles, a análise fica difícil.

Quando as dívidas já não cabem no orçamento

Se o problema não é um contrato, mas o conjunto de dívidas, a Lei do Superendividamento (Lei 14.181/2021) permite reunir os credores e propor um plano de pagamento de até 5 anos, preservando o mínimo para viver.

Documentos

  • Contrato do empréstimo, financiamento ou cartão.
  • Extratos e faturas com as parcelas pagas.
  • Comprovantes de descontos em folha ou no benefício.
  • Protocolos de reclamação no banco.

Conte o seu caso no formulário. Um advogado parceiro analisa o seu contrato e explica se cabe revisão. Veja também o que mais um advogado bancário resolve.

Perguntas frequentes

Juros acima de 12% ao ano são abusivos?

Não por si só. O STJ entende que bancos podem cobrar mais de 12% ao ano (Súmula 382). Os juros são considerados abusivos quando ficam muito acima da taxa média de mercado divulgada pelo Banco Central para aquele tipo de operação, na época do contrato.

Posso parar de pagar enquanto discuto os juros?

Não é recomendável. Na ação revisional, a lei exige que você indique o valor que considera correto e continue pagando essa parte (Código de Processo Civil, art. 330). Parar de pagar tudo pode levar à negativação e, no financiamento de veículo, à busca e apreensão.

Existe limite de juros no cartão de crédito?

No rotativo e no parcelamento da fatura, sim: desde 2024, os juros e encargos não podem passar de 100% do valor original da dívida (Lei 14.690/2023). Ou seja, uma dívida de mil reais não pode virar mais de dois mil só com juros.

O banco pode me obrigar a contratar seguro junto com o empréstimo?

Não. Condicionar o empréstimo a um seguro, ou obrigar a contratar o seguro com uma seguradora escolhida pelo banco, é venda casada, proibida pelo Código de Defesa do Consumidor. O valor pode ser devolvido.

O Procon resolve juros abusivos?

O Procon ajuda com cobranças indevidas, tarifas e seguros não contratados, e pode intermediar uma renegociação. Já a revisão da taxa de juros do contrato, quando o banco não aceita reduzir, normalmente precisa de uma ação na Justiça.

Como saber se estou pagando juros abusivos?

Pegue a taxa mensal e anual do contrato e compare com a taxa média do Banco Central para a mesma modalidade (por exemplo, financiamento de veículo ou crédito pessoal) na época da contratação. Quando a sua taxa fica muito acima da média, cabe pedir a revisão.

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