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Superendividamento: como renegociar todas as dívidas e preservar o mínimo para viver
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Superendividamento
Dívidas que já consomem o salário inteiro? Como funciona a ação de superendividamento, o plano de até 5 anos, o mínimo existencial, idosos e consignado.
Por Equipe Amparo Jurídico · Atualizado em

Conteúdo informativo, com base na legislação citada no texto. Não substitui a orientação de um advogado sobre o seu caso.
Quando cartão de crédito, cheque especial, empréstimos e crediário, somados, passam a consumir quase toda a renda, não adianta renegociar um credor de cada vez. Para essa situação existe a Lei do Superendividamento (Lei 14.181/2021), que mudou o Código de Defesa do Consumidor e permite reunir todos os credores e pagar as dívidas num plano de até 5 anos, preservando o mínimo existencial.
Quem pode usar
| Requisito | O que significa |
|---|---|
| Pessoa física, de boa-fé | Contraiu as dívidas para viver, não para dar golpe |
| Dívidas de consumo | Cartão, cheque especial, empréstimos, consignado, crediário, contas |
| Impossibilidade de pagar | Não consegue pagar tudo sem comprometer o mínimo para viver |
Ficam de fora o financiamento imobiliário, o crédito rural, dívidas de luxo e as contraídas de má-fé.
Como funciona: duas fases
1. Conciliação com todos os credores
O consumidor pede a repactuação e apresenta um plano de pagamento de até 5 anos, numa audiência com todos os credores juntos, no Procon, na Defensoria ou no centro de conciliação do tribunal (Código de Defesa do Consumidor, art. 104-A). O credor que faltar à audiência sem justificativa pode ter a cobrança suspensa e ir para o fim da fila de pagamento.
2. Processo por superendividamento
Se não houver acordo com algum credor, o juiz pode revisar os contratos e impor um plano judicial, também de até 5 anos, com a primeira parcela em até 180 dias (art. 104-B). Nessa fase, o advogado ou a Defensoria é necessário.
O mínimo existencial
É a parte da renda que não pode ser comprometida com dívidas, para a família conseguir pagar moradia, alimentação, saúde e contas básicas. O decreto que regulamenta a lei fixou o valor em R$ 600 por mês. Esse número é questionado no Supremo Tribunal Federal, que discute a revisão periódica dele, e, na prática, os juízes costumam olhar o custo de vida real da família.
Idosos e consignado
Aposentados e pensionistas estão entre os mais atingidos, com empréstimo consignado, cartão consignado (RMC) e cartão de benefício (RCC) somados. A lei:
- permite incluir esses contratos na repactuação;
- proíbe assediar ou pressionar o consumidor a contratar crédito, especialmente idosos (art. 54-C);
- obriga o banco a informar o custo total e a avaliar a capacidade de pagamento antes de emprestar.
Desconto de empréstimo que você não contratou dá direito ao cancelamento e à devolução em dobro. Como identificar e contestar esses descontos direto no benefício está no guia de desconto indevido no INSS, do Tudo Sobre INSS.
Procon ou Justiça
| Caminho | Quando usar |
|---|---|
| Procon ou núcleo de superendividamento | Primeira tentativa, gratuita, sem advogado obrigatório |
| Defensoria Pública | Renda baixa; atende na conciliação e no processo |
| Ação judicial com advogado | Quando os credores não aceitam o plano ou há contratos abusivos a revisar |
Como montar o pedido
- Liste todas as dívidas: credor, valor da parcela, saldo devedor e juros.
- Some a renda da família e as despesas fixas (aluguel, comida, luz, água, remédios, transporte).
- Calcule quanto sobra depois do mínimo para viver: é com esse valor que o plano é montado.
- Leve os contratos e extratos ao Procon, à Defensoria ou ao advogado.
Para entender a lei em detalhes, veja o guia lei do superendividamento: como usar.
Conte o seu caso no formulário. Um advogado parceiro lê a sua situação e explica se cabe a repactuação e por onde começar. Veja também o que mais um advogado bancário resolve.
Perguntas frequentes
A Lei do Superendividamento precisa de advogado?
Na fase de conciliação, no Procon ou nos centros de conciliação dos tribunais, não é obrigatório. Na ação judicial, quando não há acordo e é preciso um plano imposto pelo juiz, o advogado ou a Defensoria Pública é necessário. Mesmo na conciliação, um advogado ajuda a montar um plano viável.
Qual é o valor do mínimo existencial?
O decreto que regulamenta a lei fixou o mínimo existencial em R$ 600 por mês (Decreto 11.150/2022, alterado em 2023). O valor é questionado no STF, que discute a revisão periódica dele, e na prática os juízes analisam o custo de vida real da família.
Idoso aposentado pode usar a Lei do Superendividamento?
Pode, e é um dos públicos mais protegidos pela lei. Aposentados com consignado, cartão consignado e empréstimos que comprometem a renda podem pedir a repactuação. A lei também proíbe assédio e pressão para contratar crédito, especialmente contra idosos.
Quais dívidas ficam de fora?
Financiamento imobiliário, crédito rural, dívidas de produtos e serviços de luxo, dívidas contraídas de má-fé ou sem intenção de pagar e tributos. Entram as dívidas de consumo: cartão, cheque especial, empréstimos, consignado, crediário e contas de consumo.
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